Vivemos um tempo onde a felicidade foi elevada ao posto de bem supremo. Ela se tornou o critério absoluto para todas as decisões: se algo nos faz felizes, seguimos em frente; se não faz, descartamos. Relacionamentos, trabalho, família – tudo se torna temporário, condicionado a essa busca interminável por um estado de satisfação constante. Mas será que entendemos, de fato, o que estamos procurando?
Recentemente, ouvi uma história que ilustra bem esse dilema. Uma mulher decidiu se divorciar porque sentia que o casamento estava limitando sua felicidade. Não havia traição, violência ou falta de respeito. Apenas responsabilidades, rotina, compromissos, que é absolutamente normal. E, para ela, tudo isso era um obstáculo, era sufocante para ela. “Não posso abrir mão da minha felicidade”, disse ao marido, antes de partir em busca de algo “melhor”.
Esse tipo de pensamento se tornou comum. O trabalho deixou de ser uma vocação e passou a ser um fardo que se abandona ao menor sinal de desconforto. Filhos, antes um presente, agora são vistos como limitações, cruz e peso. O matrimônio, que deveria ser uma aliança de vida, virou um contrato com cláusula de rescisão automática com compensação monetária. E a desculpa é sempre a mesma: “preciso ser feliz”.
Maldita burrice que impera nas mentes confusas!
O problema é que essa felicidade tão desejada raramente chega e quando chega é mal pagadora. O prazer imediato, sim. O alívio momentâneo, também. Mas, depois de um tempo, tudo volta a parecer vazio. Porque o que muitos chamam de felicidade nada mais é do que a velha tão conhecida fuga da realidade e dos compromissos estabelecidos, que são tão normais para qualquer adulto.
E, nesse ponto, é preciso dizer uma verdade dura para os tempos de hoje: essa busca desenfreada pela felicidade é diabólica.
Não no sentido de algo sobrenatural ou fantasioso, mas no sentido mais profundo da palavra “diabolos”, do grego, que significa “aquele que separa”. O que estamos vendo hoje é exatamente isso: uma felicidade que separa o homem da sua própria realização.
A felicidade diabólica divide o indivíduo entre o desejo e o dever. Separa pais dos filhos, maridos das esposas, trabalhadores da sua participação criativa no mundo. Empurra a pessoa para um caminho de isolamento hedonista, onde tudo que exige sacrifício é considerado um inimigo.
Essa felicidade perversa destrói laços, dissolve compromissos e espalha frustração. Quando o homem aceita essa ideia de que “ser feliz” justifica qualquer abandono, ele se torna um escravo do momento, incapaz de construir algo que dure. Ele corta raízes, joga fora tudo o que exige esforço e, no fim, se vê completamente sozinho e cada vez mais longe da tão desejada felicidade.
A verdade é simples, mas impopular: não existe felicidade sem sacrifício. O amor verdadeiro exige entrega. O sucesso profissional demanda suor. A construção de uma família forte exige paciência, benevolência, brandura e muita temperança. A felicidade real só existe dentro do campo da responsabilidade. Já a diabólica acontece na fuga e covardia.
E o mais cruel dessa mentalidade é que, ao final dessa busca incansável, a pessoa se olha no espelho e não se reconhece mais. O que restou depois de tanto se vender a esse tipo de felicidade diabólica? A cama confortável, os jantares sofisticados, as viagens incríveis, os prazeres sem compromisso… Mas e o sentido? E o amor? E a vida do espírito?
A pergunta que fica é: a troco de quê?
A troco de quê você abriria mão de um casamento por noites animadas e viagens eventuais? A troco de quê trocaria um emprego estável por uma ilusão de liberdade financeira? A troco de quê abandonaria seus filhos para viver sem amarras?
A felicidade que vale a pena está no vínculo que cultivamos, nos laços que fortalecemos, nas renúncias que escolhemos fazer por amor.
Portanto, atenção: você pode estar vendendo a sua alma para o diabo em nome da sua felicidade.
Agende uma consulta e dê o primeiro passo com acompanhamento profissional.
Falar no WhatsApp